sábado, dezembro 20
Demorou um bocado para o disco da Beth Gibbons descolar uma vaga na minha wishlist, visto que não tive saco para baixar uma mísera música que fosse no Soulseek. Ao mesmo tempo, não iria arriscar meus tostões dando um tiro no escuro. Felizmente, o Multishow exibiu um trecho de sua apresentação no Tim Festival e facilitou a minha vida (o som era menos eletrônico do que eu temia). Concluí que seria uma boa trilha sonora para aqueles momentos em que fico ensimesmado (o que corresponde à maior parte da minha existência). Só que para adquiri-lo numa loja online eu teria que gastar quase 35 pratas. Chance zero. Foi aí que o raciocínio lógico entrou em campo. Encontro-me no Rio de Janeiro, balneário ensolarado habitado por gente bonita e sarada, e palco do recente show da Beth Gibbons. Cheios da grana e sempre atentos ao modismo da semana, os bonitos e sarados certamente acorreram em massa ao supracitado festival. É batata, nessas ocasiões eles compram o álbum mais recente das principais atrações e decoram o nome das músicas, fato que lhes permite exibir sua suposta erudição nas rodas de bate-papo. Bastava-me aguardar pelo exato momento em que, enfastiados e ansiosos por uma novidade, eles resolvessem desovar os ultrapassados cds. Ontem, espírito confiante, parti rumo à loja de discos usados. Lá, dirigi-me à prateleira de cantoras internacionais, letra B. Encontrei-o pelo módico preço de 16 reais. Eis uma valiosa lição, pequeno gafanhoto: A paciência é uma grande virtude.
sexta-feira, dezembro 19
Não dá mais para tentar ignorar, aquela inevitável data festiva está cada vez mais próxima. E na seqüência ainda tem o malfadado acontecimento que obriga todo mundo a trocar a folhinha na parede. É isso mesmo. Embora eu esteja sendo demasiadamente sutil, acho que deu pra notar que detesto esta época do ano.
Ao observar a página inicial do meu blog, constatei que um post datado de junho ainda estava sendo exibido. Que vexame. Espero estar liberto da apatia no próximo ano e atualizar esta página com mais freqüência. Eu até gosto de escrever aqui, mas não consigo sair do buraco emocional (deve ser mais fundo do que aquele onde acharam o Saddam). É, 2003 foi péssimo, não vejo a hora que acabe.
Ao observar a página inicial do meu blog, constatei que um post datado de junho ainda estava sendo exibido. Que vexame. Espero estar liberto da apatia no próximo ano e atualizar esta página com mais freqüência. Eu até gosto de escrever aqui, mas não consigo sair do buraco emocional (deve ser mais fundo do que aquele onde acharam o Saddam). É, 2003 foi péssimo, não vejo a hora que acabe.
quinta-feira, dezembro 11
Engraçado, nos últimos dias bateu uma vontade de escutar novamente os discos dos Smiths. Só não sei se isso é bom sinal (estarei deprimido? Ou apenas nostálgico?). Ontem à noite, enquanto o Hatful of hollow tocava, deixei a tv sintonizada na Fox. Peguei, já pela metade, uma comédia romântica com a Drew Barrymore, Nunca fui beijada. Como era uma versão legendada deu pra acompanhar mesmo com a tv no mudo. No instante em que Please, please, please, let me get what I want fechou o disco, acionei o som da tv para poder acompanhar o restante do filme de maneira mais apropriada. A cena se passava no baile de formatura e tinha como trilha sonora... Please, please, pleas... bom, vocês já sabem o nome. Eu sempre fico impressionado quando essas coincidências acontecem. Pena que eu nunca fui bom em fazer contas, gostaria de saber quais as probabilidades matemáticas envolvidas.
sexta-feira, dezembro 5
Sei lá, talvez eu seja meio ranzinza, mas toda vez que eu vejo no noticiário o Lula deitando falação sobre o que os países desenvolvidos devem fazer ou deixar de fazer, lembro logo daquele filme do Peter Sellers, "O rato que ruge".
Já fui bem mais implicante, né? Antigamente eu estava sempre disposto a fazer um comentário ácido. De uns tempos pra cá, adotei a política do pouco se me dá... o que certamente explica a escassez de posts.
Já fui bem mais implicante, né? Antigamente eu estava sempre disposto a fazer um comentário ácido. De uns tempos pra cá, adotei a política do pouco se me dá... o que certamente explica a escassez de posts.
quarta-feira, novembro 26
Tinha até uns negócios pra escrever mas deixa pra lá, fica pra próxima. Limitar-me-ei a informar o meu ranking dos álbuns do Belle & Sebastian (inspirado por um tópico que vi no fórum da banda).
1. If you're feeling sinister
2. Tigermilk
3. Fold your hands child
4. The boy with the arab strap
5. Storytelling
6. Dear catastrophe waitress
1. If you're feeling sinister
2. Tigermilk
3. Fold your hands child
4. The boy with the arab strap
5. Storytelling
6. Dear catastrophe waitress
sábado, novembro 15
Fiz o sinal pro ônibus e ele, como não podia deixar de ser, parou. Antes que o motorista arrancasse, subi os dois degraus rapidamente e livrei-me de um provável traumatismo craniano. Paguei a passagem, recebi o troco e sentei-me, como de hábito, perto do corredor na fileira da direita. Felizmente esses lugares específicos estavam vagos, porque uma coisa que eu detesto é entrar no ônibus e encontrá-los ocupados. Sinto-me completamente deslocado do lado esquerdo. Que foi? Qual é o problema em ser metódico? Que eu saiba não é crime... ainda. Aviso importante: se você, abnegado visitante, leu este texto até aqui por acreditar que ele tem algum propósito, vá tirando o cavalinho da chuva. Naquela ensolarada tarde de sexta, fiz um trajeto relativamente curto. Mesmo assim, a tranqüilidade da viagem foi abalada pela entrada em cena de três ambulantes. Um de cada vez, é claro. O primeiro vendia paçocas e, pobre infeliz, fracassou miseravelmente na tentativa de convencer os passageiros a retirar o escorpião do bolso. Na seqüência veio o vendedor de canetas. Um real cada. Pessoalmente, achei as canetas pavorosas, muito berrantes, mas houve uma senhora que discordou do meu ponto de vista. Certamente não resistiu à lábia do vendedor. Este, diante do fato consumado, retirou uma caneta da caixa e passou a testá-la rabiscando um pedaço de papel. Admito, a longa duração do teste chegou a me angustiar; a caneta, sofisticadíssima, tinha três ou quatro cores (fico devendo a informação precisa). Confirmada a qualidade do produto, só então o cioso vendedor permitiu-se recolher a amarrotada nota de 1 real. É meu triste dever informar que coube ao derradeiro ambulante, o homem das bananadas, partilhar do mesmo destino do vendedor de paçocas. O fracasso comercial de ambos é uma questão que ainda me intriga. Teria o forte calor daquela tarde desestimulado a demanda por esse tipo de iguaria? Acho que nunca saberemos a resposta. De qualquer forma, toda essa experiência serviu para me dar uma brilhante idéia: estou pensando em propôr a criação de um novo índice para medir a atividade econômica do nosso país. Ele seria obtido através de uma equação que envolveria a distância percorrida pelo ônibus, o número de ambulantes presentes e o total de produtos vendidos (com pesos diferenciados para os comestíveis, cujo desempenho é influenciado por fatores sazonais). Morda-se de inveja, FGV.
sábado, novembro 1
A julgar pelas críticas elogiosas que li a respeito do novo disco do Belle & Sebastian, sou, muito provavelmente, o único ser vivo na face da Terra que detestou o "Dear catastrophe waitress". Fiquei com a sensação de ouvir um grande pastiche em cima da música pop dos anos 60 e 70. Não sei quanto a vocês (?), mas eu preferia quando os escoceses emulavam Love, Donovan, Nick Drake... ao menos passava mais sinceridade. Mal consigo escutar o disco direito, o dedo logo coça para apertar o skip no controle. Step into my office, baby é uma bobagem na linha de Legal man e Scooby driver, serve como b-side de single, nunca para abrir um álbum. Impossível não ranger os dentes quando o Stuart Murdoch começa, no pior estilo Motown, a cantar em falsete ao fim de cada estrofe em If she wants me. A insossa Asleep on a sunbeam, novo tiro n'água da Sarah Martin, é a prova definitiva de que Waiting for the moon to rise foi um aborto da natureza. Eu juro, toda vez que escuto a medonha introdução de You don't send me sinto vontade de atirar o som pela janela (por sorte a janela do meu quarto é apenas metafórica). Roy Walker só pode ser coisa do Stevie Jackson, o responsável por músicas (sic) como Chickfactor, Seymour Stein e Beyond the sunrise. Quanto às composições não sei dizer, mas os vocais de apoio da Isobel fazem uma falta danada. E que fim terão levado aqueles magníficos e tradicionais solos de trompete? Lord Anthony e Dear catastrophe waitress são canções razoáveis, talvez subam no meu conceito com o tempo, e ainda não decidi se gosto ou desgosto da estranha Stay loose. A única faixa realmente digna de elogios, apesar do título oportunista, é Piazza, New York catcher. Tão boa que mereceria um lugar até no perfeito "If you're feeling sinister" (de lá pra cá foi ladeira abaixo).
sexta-feira, outubro 17
Posso até estar equivocado mas acho que nunca publiquei uma lista com os meus filmes favoritos - um dos artifícios mais utilizados por blogs preguiçosos. Bom, chegou a hora de aproveitar a oportunidade. Segue a relação, dividida por gêneros, dos filmes que costumo assistir com sofreguidão (nenhuma novidade para quem lê o blog há algum tempo).
Comédia/Musical
O mágico de Oz (The wizard of Oz) - Victor Fleming
Cantando na chuva (Singin' in the rain) - Stanley Donen e Gene Kelly
Quanto mais quente melhor (Some like it hot) - Billy Wilder
Noivo neurótico, noiva nervosa (Annie Hall) - Woody Allen
A era do rádio (Radio days) - Woody Allen
Barton Fink - Joel e Ethan Coen
Drama/Romance
Casablanca - Michael Curtiz
A felicidade não se compra (It's a wonderful life) - Frank Capra
Crepúsculo dos deuses (Sunset Boulevard) - Billy Wilder
A malvada (All about Eve) - Joseph L. Mankiewicz
Campo dos sonhos (Field of dreams) - Phil Alden Robinson
O marido da cabeleireira (Le mari de la coiffeuse) - Patrice Leconte
Vestígios do dia (The remains of the day) - James Ivory
Guerra
Gallipoli - Peter Weir
Glória feita de sangue (Paths of glory) - Stanley Kubrick
Policial
O falcão maltês (The maltese falcon) - John Huston
O poderoso chefão (The Godfather) - Francis Ford Coppola
Os intocáveis (The untouchables) - Brian De Palma
Suspense
Janela indiscreta (Rear window) - Alfred Hitchcock
Um corpo que cai (Vertigo) - Alfred Hitchcock
O terceiro homem (The third man) - Carol Reed
Um homem meio esquisito (Monsieur Hire) - Patrice Leconte
Western
Os brutos também amam (Shane) - George Stevens
Rastros de ódio (The searchers) - John Ford
O homem que matou o facínora (The man who shot Liberty Valance) - John Ford
Era uma vez no oeste (Once upon a time in the west) - Sergio Leone
Comédia/Musical
O mágico de Oz (The wizard of Oz) - Victor Fleming
Cantando na chuva (Singin' in the rain) - Stanley Donen e Gene Kelly
Quanto mais quente melhor (Some like it hot) - Billy Wilder
Noivo neurótico, noiva nervosa (Annie Hall) - Woody Allen
A era do rádio (Radio days) - Woody Allen
Barton Fink - Joel e Ethan Coen
Drama/Romance
Casablanca - Michael Curtiz
A felicidade não se compra (It's a wonderful life) - Frank Capra
Crepúsculo dos deuses (Sunset Boulevard) - Billy Wilder
A malvada (All about Eve) - Joseph L. Mankiewicz
Campo dos sonhos (Field of dreams) - Phil Alden Robinson
O marido da cabeleireira (Le mari de la coiffeuse) - Patrice Leconte
Vestígios do dia (The remains of the day) - James Ivory
Guerra
Gallipoli - Peter Weir
Glória feita de sangue (Paths of glory) - Stanley Kubrick
Policial
O falcão maltês (The maltese falcon) - John Huston
O poderoso chefão (The Godfather) - Francis Ford Coppola
Os intocáveis (The untouchables) - Brian De Palma
Suspense
Janela indiscreta (Rear window) - Alfred Hitchcock
Um corpo que cai (Vertigo) - Alfred Hitchcock
O terceiro homem (The third man) - Carol Reed
Um homem meio esquisito (Monsieur Hire) - Patrice Leconte
Western
Os brutos também amam (Shane) - George Stevens
Rastros de ódio (The searchers) - John Ford
O homem que matou o facínora (The man who shot Liberty Valance) - John Ford
Era uma vez no oeste (Once upon a time in the west) - Sergio Leone
terça-feira, outubro 14

sábado, outubro 11
Amanhã é dia da final da Copa do Mundo de futebol feminino, Alemanha e Suécia disputam o caneco. Embora tenha beirado a clandestinidade, eu acompanhei a competição com interesse e estarei torcendo pelas conterrâneas de Ingrid Bergman. As alemãs, lideradas pelo panzer Birgit Prinz, são as favoritas disparadas. Para tanto, escudam-se na força física e no estilo de jogo mecânico, o que as torna uma cópia fiel da equipe masculina. A Suécia não chega a ser um primor no trato com a bola, mas seu plantel repleto de beldades conquistou a minha simpatia. Dentro de campo, a equipe escandinava deve apostar suas fichas na artilheira Victoria Svensson, considerada por mim a melhor jogadora do torneio (quanta honra para ela). Veloz, habilidosa e participativa, a lourinha (um pleonasmo em se tratando de Suécia) de cabelos encaracolados não dá sossego às defesas adversárias. Como diriam os antigos, é um verdadeiro azougue. Seria uma boa vê-la formando dupla de ataque com o Leandrão no Botafogo, já pensou? Ironicamente, os holofotes apontavam no início para a camisa 10 do time, Hanna Ljungberg, que até agora não disse a que veio. Mas talvez ela desencante na final, a Suécia bem que vai precisar.
sábado, outubro 4
Já posso riscar mais dois cds da lista dos que faltam pr'eu completar a discografia dos Cowboy Junkies. Primeiro disco dos canadenses, Whites Off Earth Now!! é recomendável só para quem for realmente muito fã. Composto, em sua quase totalidade, por regravações de standards do blues, ele acaba ficando um tanto repetitivo, embora já evidencie o estilo climático, quase hipnótico, que se tornaria marca registrada da banda. As melhores faixas, na minha humilde opinião, são Shining moon, State trooper, Take me (única composição própria) e Crossroads. A partir daí, felizmente, os irmãos Timmins ampliaram os horizontes e assimilaram influências de outros gêneros - country, folk, soft jazz, rock - , o que resultou na explosão criativa de The Trinity Session. O segundo cd riscado da lista foi o Miles From Our Home, que costuma ser execrado pelos fãs mais puristas como uma tentativa fracassada de alcançar o mainstream - ao menos nas críticas que eu li. Após repetidas audições, cheguei à seguinte conclusão: o disco é muito bom, e esse povo é mais xiita do que o Bin Laden. Verdade que músicas como New dawn coming, Hollow as a bone e a faixa-título, repletas de ganchos afiados, clamam por execução radiofônica. Mas eu pergunto: e daí? Isso só vem confirmar o talento como artesão pop do Michael Timmins. Quem dera a música comercial soasse um pouco assim. Além do que, para desgosto dos detratores, o lado mais taciturno da banda continua presente em músicas como Blue guitar, No birds today, Those final feet e At the end of the rainbow. Aliás, não entendi por que colocaram essa última, uma das pérolas do disco, como faixa secreta. Baita mancada.
terça-feira, setembro 30
O problema dessas minhas aparições esporádicas é que eu sempre acabo perdendo um tempo precioso digitando justificativas para o sumiço mais recente. É só conferir logo abaixo, os últimos posts foram inaugurados com as mesmas lamúrias. E pelo andar da carruagem (tava demorando pr'eu puxar um clichê da cartola), este aqui não terá um destino muito diferente. Pois é, agora seria o momento mais adequado pr'eu jogar a culpa na "falta de assunto", esse velho cavalo de batalha. Mas a verdade é que nesse intervalo de tempo tive idéias para uma boa meia dúzia de posts; cheguei até a desenvolver alguns trechos mentalmente. Só que para dar-lhes vida, eu teria que abrir a página do Blogger, logar, fazer um rascunho, corrigir o rascunho e, finalmente, publicar. É aí que bate uma preguiça monstra, e eu chego à conclusão de que é muito mais negócio ir dormir (ou pelo menos tentar). O que, aliás, soa como uma sedutora opção no momento. Portanto, os temas que pediam passagem terão que esperar por uma outra vez. Mas tem que ser logo, senão vou desperdiçar mais um post explicando por que sumi durante tanto tempo.
quinta-feira, setembro 11
São basicamente duas opções: poderia preencher este espaço com posts diários repletos de resmungos ou continuar na minha costumeira greve de silêncio. A segunda opção me soa bem mais agradável, portanto, sigamos o mesmo plano de vôo.
Acho que passei uns dois meses sem dar as caras nos meus adorados sebos. Consequentemente, fiquei esse tempo todo sem comprar um mísero cdzinho sequer. Virei um sovina de marca maior, não admito gastar mais de 20 pratas num disco. O jejum foi finalmente quebrado faz umas duas semanas, ocasião em que abracei a extravagância e arrematei três cds numa tacada só. Impossível descrever de maneira inteligível o meu contentamento ao encontrar o Greatest Hits do Catatonia. Ainda por cima na edição dupla limitada. E o segundo cd, de b-sides, abre justamente com Do you believe in me?, minha preferida entre as composições de Cerys Matthews e cia. Life could be great sometimes. Também comprei, a preço de banana, o último dos Delgados. E como em time que está ganhando não se mexe, Hate segue a fórmula do disco anterior, o festejado The Great Eastern, com suntuosas orquestrações e duetos vocais ultralíricos ponteando em praticamente todas as faixas. Por último, mas não menos importante, chegamos ao ótimo Turn on the Bright Lights do Interpol. Para quem, como eu, gosta de rock dos anos 80 (Joy Division, Echo, Smiths) é um prato cheio. Só posso esperar que as próximas visitas ao sebo sejam tão produtivas quanto essa última.
PS: O sistema de comentários voltou após longa e sentida ausência, mas parece que deu sumiço em alguns deles. Que coisa, já não são muitos...
Acho que passei uns dois meses sem dar as caras nos meus adorados sebos. Consequentemente, fiquei esse tempo todo sem comprar um mísero cdzinho sequer. Virei um sovina de marca maior, não admito gastar mais de 20 pratas num disco. O jejum foi finalmente quebrado faz umas duas semanas, ocasião em que abracei a extravagância e arrematei três cds numa tacada só. Impossível descrever de maneira inteligível o meu contentamento ao encontrar o Greatest Hits do Catatonia. Ainda por cima na edição dupla limitada. E o segundo cd, de b-sides, abre justamente com Do you believe in me?, minha preferida entre as composições de Cerys Matthews e cia. Life could be great sometimes. Também comprei, a preço de banana, o último dos Delgados. E como em time que está ganhando não se mexe, Hate segue a fórmula do disco anterior, o festejado The Great Eastern, com suntuosas orquestrações e duetos vocais ultralíricos ponteando em praticamente todas as faixas. Por último, mas não menos importante, chegamos ao ótimo Turn on the Bright Lights do Interpol. Para quem, como eu, gosta de rock dos anos 80 (Joy Division, Echo, Smiths) é um prato cheio. Só posso esperar que as próximas visitas ao sebo sejam tão produtivas quanto essa última.
PS: O sistema de comentários voltou após longa e sentida ausência, mas parece que deu sumiço em alguns deles. Que coisa, já não são muitos...
sexta-feira, agosto 29
Peraí um pouquinho, deixa eu espanar o mofo primeiro... cof cof cof... Pronto, agora já posso continuar. Só resta saber com o que eu vou continuar, já que não tive nenhum lampejo de criatividade ultimamente. É meio despropositado, mas na falta de coisa melhor... vale escrever sobre teorias conspiratórias que chegaram aos meus ouvidos no longínquo início deste ano? Vale?! Então tá bom. A primeira diz respeito ao Lula. É do conhecimento de todos que o presidente da Venezuela, Hugo Chavez, alvo de manifestações populares marcadas pela violência, por muito pouco não foi apeado do poder pela elite econômica daquele país. Aqui, empresários do eixo São Paulo-Minas, contrariados com a vitória do sapo barbudo, entusiasmaram-se com o quase-golpe venezuelano e deixaram o plano engatilhado: se, ao assumir o governo, Lula decidisse rezar pela cartilha do PSTU e levasse o país à bancarrota, a massa de manobra espalharia o caos pelas ruas do país, a fim de provocar a queda do nosso prolixo presidente. Plano frustado. Lula decidiu ficar pianinho e manteve a popularidade em alta. Agora vamos para a segunda teoria. A despeito de toda a retórica gasta na defesa de uma solução diplomática, o governo brasileiro sabia de antemão que a invasão americana ao Iraque era inevitável. Documentos do governo americano em poder da Petrobras, obtidos através de espionagem, alertavam para o risco de um colapso no abastecimento de combustível no país. Em dez anos, não haveria mais petróleo para extrair em solo ianque e nem condições econômicas de suprir a enorme demanda. A única solução possível, controlar as reservas petrolíferas de um dos seguintes países: Arábia Saudita, Venezuela, Iraque ou Brasil. A Venezuela ainda conseguiu se safar, mas o Iraque não teve escapatória.
Até que as teorias são boas, né? A julgar pela fonte, atrevo-me a dizer que a segunda é verdadeira.
Até que as teorias são boas, né? A julgar pela fonte, atrevo-me a dizer que a segunda é verdadeira.
sexta-feira, agosto 15
Contrariando a boataria corrente, devo informar que ainda estou vivo. Espero que a auspiciosa notícia sirva para acalmar o mercado e conter a alta do dólar. Já não sou muito prolífico em condições normais de tempo e temperatura, imagine quando o caldo engrossa. Foi um período deveras agradável: três dias de garganta inflamada, afônico por mais de uma semana, rinite ameaçando entrar em crise, tosse inexplicável e interminável, noites pessimamente dormidas, consultas a dois médicos em busca de um diagnóstico, raio-x, xarope dopante e vacina para alergia respiratória (hoje tem mais uma dose, sinal de braço dolorido pelos próximos dias). Como desgraça pouca é bobagem, aproveitei o embalo e obturei alguns dentes pela primeira vez na vida (como é chato ficar anestesiado, nunca imaginei). Mas acredito que o meu inferno astral esteja próximo do fim. Só sinto uma certa saudade do xarope dopante (ficava tão zonzo que não aguentava andar até a esquina). Era tomar, bater na cama e cair em sono profundo. Agora eu entendo o porquê de tanta gente ser viciada em remédio para dormir.
sexta-feira, julho 25
Os abnegados que visitam este espaço com alguma regularidade já devem estar encafifados com a descarada falta de atualizações. Como tudo nessa vida tem uma explicação, aqui vai a minha: ando meio doente, só para variar. Logo, não há clima para escrever as abobrinhas costumeiras. Nesses últimos dias constatei que sala de espera de consultório médico é um dos locais mais deprimentes que uma pessoa pode frequentar. A cada cena testemunhada vem sempre o mesmo pensamento: Meu Deus, é isso que o futuro me reserva...
segunda-feira, julho 14
Já era pr'eu ter escrito isso há um tempão, só que ando numa indolência digna de figurante de novela das oito passada na Bahia. Perdi um pouco do timing mas que se dane. Incrível como ninguém atentou para o verdadeiro motivo por trás da intensa comemoração que seguiu-se à derrocada de São Paulo na briga para sediar a Olimpíada de 2012. Foi apenas uma demonstração de alívio coletivo. Não mais existe o risco de virmos a ser bombardeados com a execução maciça da canção-tema dos Jogos composta pelo Supla (a pedido da mãe, naturalmente).
quinta-feira, julho 10
Lembrei de um outro dividendo que a vida campestre proporciona aos que nela se refugiam: o sumiço completo das habituais ansiedades e neuroses. Só após deixar o sítio fui notar que minhas unhas estavam intactas, passara quase duas semanas esquecido de roê-las obsessivamente; pensamentos depressivos também não encontraram espaço para se manifestar. Mudando um pouquinho de assunto, vale citar uma hora em que a monotonia impera no campo: quando anoitece. O jeito era jogar conversa fora (pouco recomendável, sempre descambava para a melancolia nostálgica regada a álcool), ouvir música, ler um livro (complicado, a luz era fraca) ou assistir televisão. Mas lá só pegava Globo, Bandeirantes, SBT e Record (que mané tv a cabo!). Trocando em miúdos, só tinha Globo. Porque o resto, Deus me livre. As novelas ainda consegui aturar, mas quando chega o domingo... Fantástico é sacanagem! Muito ruim. Virei pro lado e só acordei na manhã seguinte. Dormi às 21:30 naquele dia, provavelmente um recorde pessoal. O que não deixou de ser uma coisa boa, talvez eu devesse agradecer aos criadores do Fantástico.
sexta-feira, julho 4
Não tem jeito mesmo, isso aqui está definhando a olhos vistos. Após quase dois anos de blog cheguei praticamente ao limite, não encontro mais nada para acrescentar a esse monólogo enfadonho (é o meu estilo, fazer o quê?). Não estou para muita conversa, a simples idéia de escrever um novo post me causa desconforto. O contraste com o péssimo momento atual provoca uma saudade absurda daquela vidinha bucólica no sítio. Apesar de esmaecidas, as lembranças ainda estão vivas (perdão pelo uso indiscriminado de platitudes, é um velho hábito). Tirando o primeiro dia em que sofri ao tentar, em vão, dormir num quarto que mereceu o carinhoso apelido de "frigorífico", o restante foi ótimo. Ops, pensando bem... Mesmo sob risco de me indispor com os puristas da vida no campo, devo admitir que o aroma que se desprende do estrume é algo que não me apetece muito. Pronto, este foi o último senão. Sinto falta de uma porrada de coisas. De ser despertado de manhã pelos raios de sol que atravessavam a janela de maneira difusa; de abrir a janela e dar de cara com uma bela paisagem em vez dessa escumalha que vejo todo dia na rua; de caminhar na grama molhada de sereno recolhendo os pinhões que caíram durante a noite; de almoçar perto do fogão a lenha e depois morgar na rede; do silêncio absoluto, só quebrado pelo canto dos pássaros durante o dia; de ser rodeado na trilha por dezenas de borboletas enquanto ouvia o Pet Sounds no discman; de procurar por uma folha serrilhada que era a refeição favorita dos patos; do sotaque interiorano que eu já estava adquirindo por osmose; da disposição física e mental que desapareceu após o retorno à terra dos sufixos diminutivos; e se bobear, até daqueles morcegos chatos que ficavam guinchando no telhado.
quarta-feira, junho 25
Nossa, eu devo estar muito pra baixo mesmo. Ficar deprimido ao assistir o episódio final de Dawson's Creek é o fim da feira...
A partir de amanhã, o Telecine Classic exibe três filmes estrelados pela Jayne Mansfield, uma espécie de versão mais escrachada e voluptuosa da sensual Marilyn Monroe. Bacana é o nome do festival: "A exuberante Jayne Mansfield". Gostei do eufemismo.
Estava folheando o "Dicionário de cineastas" do Rubens Ewald Filho, publicado em 1977, e encontrei uma reveladora análise no verbete dedicado ao Clint Eastwood:
Ser o ator mais popular dos Estados Unidos tem suas vantagens. Por exemplo, tornar-se diretor, mesmo que não se demonstre nenhum talento especial para o "métier". Ligado profissionalmente a Don Siegel, pouco aprendeu dele, sendo capaz de cometer barbaridades como Breezy.
Nos dias atuais, temeroso de um linchamento, só resta ao amigo do Oscar® apelar para a célebre frase de FHC: Esqueçam o que eu escrevi. Mas verdade seja dita, o bom e velho Clint já dirigiu umas bombas capazes de deixar qualquer um ruborizado. Exemplos? Perversa paixão, Raposa de fogo, O destemido senhor da guerra e Rookie.
A partir de amanhã, o Telecine Classic exibe três filmes estrelados pela Jayne Mansfield, uma espécie de versão mais escrachada e voluptuosa da sensual Marilyn Monroe. Bacana é o nome do festival: "A exuberante Jayne Mansfield". Gostei do eufemismo.
Estava folheando o "Dicionário de cineastas" do Rubens Ewald Filho, publicado em 1977, e encontrei uma reveladora análise no verbete dedicado ao Clint Eastwood:
Ser o ator mais popular dos Estados Unidos tem suas vantagens. Por exemplo, tornar-se diretor, mesmo que não se demonstre nenhum talento especial para o "métier". Ligado profissionalmente a Don Siegel, pouco aprendeu dele, sendo capaz de cometer barbaridades como Breezy.
Nos dias atuais, temeroso de um linchamento, só resta ao amigo do Oscar® apelar para a célebre frase de FHC: Esqueçam o que eu escrevi. Mas verdade seja dita, o bom e velho Clint já dirigiu umas bombas capazes de deixar qualquer um ruborizado. Exemplos? Perversa paixão, Raposa de fogo, O destemido senhor da guerra e Rookie.
domingo, junho 15
Por que só quando algum ator famoso morre é que a Globo, a título de homenagem, se presta a exibir um filme clássico? No restante do tempo, ocupa-se o horário com as produções mais indigentes que Hollywood teve o desplante de perpetrar (dou graças pela tv a cabo). Com o falecimento do Gregory Peck, o programador optou por "O sol é para todos" (To kill a mockingbird), um filme que parte da crítica tem em alta conta. É interessante, mas não o considero essa maravilha toda. Pra falar a verdade, acho que os filmes estrelados pelo Peck sofrem por ele ser um tremendo canastrão. Sua interpretação é sempre muito dura, carece de naturalidade. Mesmo com todas as limitações dramáticas, ainda fez alguns filmes dignos de nota: "Quando fala o coração" (Spellbound) é um Hitchcock menor, mas permitiu-lhe dar algumas bitocas na Ingrid Bergman. Só por isso já valeu a pena. É bastante provável que "Duelo ao sol" (Duel in the sun) tenha dado origem ao termo camp, não sei se chega a ser um mérito. "O matador" (The gunfighter) foi um dos primeiros representantes do western psicológico. Ótimo filme que, na minha opinião, contou com a melhor atuação de Peck. "A princesa e o plebeu" (Roman holiday) é uma delícia mas, sejamos sinceros, quem comanda o espetáculo é a, então estreante, Audrey Hepburn. "Da terra nascem os homens" (The big country) é um western sem grandes arroubos de ousadia e que ficou mais célebre pelo tema musical. Fico devendo o restante dos filmes conhecidos, alguns são simplesmente ruins e outros nunca assisti.
domingo, junho 8
Frase pescada ao cruzar na rua com um trio de marmanjos em animado bate-papo: "Esse garoto é de ouro. Se derreter dá pra fazer um anel".
Mal sabe o Ruy Castro que seu nome já caiu na boca do povo. E não foi graças às biografias de Garrincha e Nelson Rodrigues. Estava eu no sebo da Siqueira Campos, levantando poeira de livros e cds, quando tive minha atenção desviada pelas palavras de um senhor de cabelos grisalhos. Em tom de confidência, o veterano mexeriqueiro afiançava tratar-se o Ruy Castro de um voraz consumidor das fitas pornô que encontra pelos sebos. Em seguida, expôs os motivos que o fizeram chegar a tal conclusão - não entendi direito esse trecho da conversa, então nem tentarei reproduzi-lo. Engraçado mesmo foi quando ele perguntou à menina do balcão, sua interlocutora principal, se ela sabia quem era o Ruy Castro e ela respondeu que não. Tive vontade de rir diante do surrealismo do diálogo. Se confirmada a história, está esclarecida a polêmica criada pelo Ruy Castro ao revelar detalhes da anatomia do Garrincha. O homem é um especialista na matéria.
Mal sabe o Ruy Castro que seu nome já caiu na boca do povo. E não foi graças às biografias de Garrincha e Nelson Rodrigues. Estava eu no sebo da Siqueira Campos, levantando poeira de livros e cds, quando tive minha atenção desviada pelas palavras de um senhor de cabelos grisalhos. Em tom de confidência, o veterano mexeriqueiro afiançava tratar-se o Ruy Castro de um voraz consumidor das fitas pornô que encontra pelos sebos. Em seguida, expôs os motivos que o fizeram chegar a tal conclusão - não entendi direito esse trecho da conversa, então nem tentarei reproduzi-lo. Engraçado mesmo foi quando ele perguntou à menina do balcão, sua interlocutora principal, se ela sabia quem era o Ruy Castro e ela respondeu que não. Tive vontade de rir diante do surrealismo do diálogo. Se confirmada a história, está esclarecida a polêmica criada pelo Ruy Castro ao revelar detalhes da anatomia do Garrincha. O homem é um especialista na matéria.
domingo, junho 1
Uau! Consegui escrever apenas dois posts (bem mixurucas, por sinal) durante todo o mês de Maio. Não se pode negar que é um feito considerável, embora pouco lisonjeiro. Apesar da viagem ter sido bastante agradável, continuo com o mesmo problema de sempre: não encontro nenhum assunto que me anime a escrever. Constatada essa incapacidade, acho que vou simplesmente compilar os melhores (ou piores) momentos das minhas últimas duas semanas. Não é nada, não é nada... não é nada mesmo. Qualquer dia eu dou início ao 'recordar é viver'.
quinta-feira, maio 29
sexta-feira, maio 16
O blog está abandonado e assim permanecerá nos próximos dias (não que alguém se importe). A expectativa para a viagem é boa, de repente eu volto mais animado e, por consequência, mais inspirado para escrever por aqui. Aproveitei e dei uma passada de última hora pelo sebo de CDs, o que me permitiu adicionar o Comes a time do Neil Young aos discos que farão a trilha sonora da minha estada. Até mais.
quarta-feira, abril 30
Se, mesmo com a morte do Joe Strummer, os outros integrantes do Clash estiverem dispostos a reformar a banda, basta convocar o Zagallo para assumir os vocais. Após levar uma prensa do serviço de imigração americano no Aeroporto de Los Angeles, o velho Lobo está mais do que qualificado para entoar o hino I'm so bored with the USA.
segunda-feira, abril 28
Oba, hoje é dia de 24 horas. A temporada atual tá foda, cada episódio novo consegue superar o anterior em matéria de adrenalina. Sem dúvida é o melhor programa da televisão, capaz até de espantar a minha proverbial apatia.
A página oficial da Laura Cantrell disponibilizou, na seção de downloads, novas músicas em formato mp3. São duas covers inéditas, extraídas de apresentações em programas de rádio. Se algum dia, por um milagre, ela se transformar numa versão feminina do Ryan Adams ou do Jeff Tweedy e passar a ser adorada pela indiezada brasileira, lembrem-se: vocês leram aqui primeiro.
domingo, abril 27
Eu deveria ter começado a contar desde a longínqua primeira vez, agora tô meio perdido. Mas acredito que essa deve ter sido a 12ª ou 13ª oportunidade em que eu assisti "A felicidade não se compra". Eu sei, é caso de internação (a última vez nem estava tão longe assim), mas eu precisava terrivelmente disso. Não ando nos meus melhores dias e o Botafogo ainda faz o favor de levar um sacode na estréia da série B. Assim vou começar a sofrer por antecipação com a ameaça da Terceirona. Falando sobre o filme, acho que ainda está pra nascer um cineasta com a mesma capacidade que o Frank Capra tinha de manipular as emoções do público. Ele gasta uma hora e meia só preparando o terreno: acompanha os personagens da infância à vida adulta, trata com ternura de seus sonhos e dificuldades, coloca uma gag ocasional para descontrair... e quando a identificação com o espectador está mais do que completa, acontece a grande virada. O abilolado tio Billy deixa os 8 mil dólares caírem nas mãos do tirânico Mr. Potter e o filme adquire ares de pesadelo. George Bailey agride verbalmente mulher e filhos, reza por ajuda e recebe um murro na cara, pensa em suicídio, testemunha como a vida seria se nunca tivesse nascido; a fotografia torna-se mais escura à medida que seu inferno pessoal aumenta (o close no rosto do James Stewart após ser rejeitado pela própria mãe é impressionante). É tudo muito dark, não é de se estranhar o fracasso nas bilheterias quando de seu lançamento. E claro, quando eu já estou me contorcendo de tanta angústia, sempre surge aquele final redentor. Não vejo a hora de assistir tudo novamente.
sexta-feira, abril 18
Leio no Globo uma matéria sobre o relançamento, com nova tradução e editora, de "Pergunte ao pó", do John Fante. A mesma matéria também informa que cópias da edição anterior, da Brasiliense, chegavam a alcançar o preço de R$ 200 nos sebos da cidade. Peraí, 200 reais?! É sério isso? Bom, se alguém ainda estiver disposto a desembolsar tal quantia, aviso que minha cópia está à disposição.
Quando você pensa que a sua vida está ruim o suficiente e não tem como piorar, eis que surge a notícia dando conta dos planos de Anthony Garotinho de concorrer à Prefeitura do Rio. Se confirmada, alguma dúvida de que ele será eleito? Só mesmo o Jorge Arbusto para nos salvar das garras desse famigerado clã (vai que ele tá de olho no petróleo de Campos). Que panorama desolador... Daqui a pouco eu junto os meus pertences numa caixinha de sapato e vou-me embora pra roça.
domingo, abril 13

Já que não fui capaz de criar a minha própria lista, aí vão os links para duas páginas hilárias que eu encontrei durante a pesquisa:
The sexiest and skankiest cartoon characters
Having sex with comic strip characters
sábado, abril 12
Tô aqui pensando em alguma coisa para escrever... dias atrás cheguei a ter algumas idéias mas já esqueci tudo. O tal do vazio existencial deve ser mais ou menos assim, a pessoa torna-se incapaz até mesmo de preencher o espaço em branco de um blog sem importância. Pelo menos serve para estrear o arquivo do mês de abril. É isso... post & publish.
domingo, março 30
Além do risco constante de engrossar a lista de vítimas de assalto, uma das coisas chatas de se andar de ônibus é ter que aturar os ambulantes que embarcam a todo instante. É só o coletivo (bonito isso) parar no ponto e logo surge um. Entra pela porta da frente, dá uma mariola pro motorista e tenta empurrar o restante para os ilustres passageiros (belos tipos faceiros?). Anteontem, tive o desprazer de ser apresentado a um novo representante da categoria. Mas esse não vendia balas ou chicletes, estava sim divulgando um programa de reabilitação para dependentes de drogas ou álcool. Até aí tudo bem, o diabo é que o sujeito resolveu descrever o tratamento com profusão de detalhes. Fiquei sabendo que para não sofrer nenhum tipo de tentação o paciente é levado para uma casa no interior do Paraná, onde assiste a cultos evangélicos, participa de atividades edificantes, etc. Tudo isso dito numa voz monocórdica que buscava sobrepor-se ao barulho produzido pelo motor do ônibus. Ao perceber que o assunto estava prestes a descambar para a ladainha religiosa, resolvi saltar fora do ponto mesmo. Minha alma já perdeu a esperança de ser salva desde que consegui ser reprovado no catecismo.
A superstição demorou um pouquinho mas funcionou em grande estilo. Encontrei o Black Eyed Man dos Cowboy Junkies por apenas 16 pratas (e é importado). O que leva uma pessoa normal a desovar essa maravilha na loja de CDs usados é algo que escapa à minha compreensão, mas acho mais é bom. Ainda no tópico "compras memoráveis", descolei na internet o primeiro álbum do Suede. É nacional, mas custou só 11 reais. Na loja cheguei a ver o Psychocandy do Jesus & Mary Chain por 18. E pensar que eu paguei uma baba por ele há uns dois ou três anos. Odeio quando isso acontece.
A superstição demorou um pouquinho mas funcionou em grande estilo. Encontrei o Black Eyed Man dos Cowboy Junkies por apenas 16 pratas (e é importado). O que leva uma pessoa normal a desovar essa maravilha na loja de CDs usados é algo que escapa à minha compreensão, mas acho mais é bom. Ainda no tópico "compras memoráveis", descolei na internet o primeiro álbum do Suede. É nacional, mas custou só 11 reais. Na loja cheguei a ver o Psychocandy do Jesus & Mary Chain por 18. E pensar que eu paguei uma baba por ele há uns dois ou três anos. Odeio quando isso acontece.
terça-feira, março 25
Estive tentado a escrever algumas incoerências por aqui mas, para felicidade geral, não levei a cabo tal intenção. Não há como negar, meus posts andam um porre. Mas fazer o quê? A vida também é chata, o blog é só um reflexo.
Como vocês bem sabem, o último domingo foi marcado por um grande acontecimento. A entrega do Oscar? Nada disso. A captura dos soldados americanos pelos iraquianos? C'mon! Refiro-me, obviamente, à final do campeonato carioca de futebol, vulgo Caixão 2003. Eu só vi alguns pedaços dessa decisão molambenta mas, a julgar pela algazarra feita pela clientela do pé-sujo aqui em frente, parecia até que o Mundial de clubes estava em disputa. Todo esse rodeio foi só para falar de uma amaldiçoada torcedora da turma do cinto de segurança. Após o jogo tornar-se favas contadas, fui torturado durante uns vinte minutos pela voz esganiçada dessa criatura a berrar: "Uhuuu! Vascooooo! Uhuuu! Vascooooo!" É impossível expressar em palavras o ódio que eu sinto por gente que grita "Uhuuu!". Minha vontade era bater um fio para o palácio do Saddam em Bagdá, pedir emprestada alguma arma de destruição em massa e tacar tudo em cima daquela ratatuia. Essas neuroses de cidade grande vão me botar maluco. Mas tudo bem. Um dia eu ainda vou viver num lugar em que, à tardinha, as pessoas colocam cadeiras na calçada em frente de casa e ficam observando o tempo passar em silêncio.
Como vocês bem sabem, o último domingo foi marcado por um grande acontecimento. A entrega do Oscar? Nada disso. A captura dos soldados americanos pelos iraquianos? C'mon! Refiro-me, obviamente, à final do campeonato carioca de futebol, vulgo Caixão 2003. Eu só vi alguns pedaços dessa decisão molambenta mas, a julgar pela algazarra feita pela clientela do pé-sujo aqui em frente, parecia até que o Mundial de clubes estava em disputa. Todo esse rodeio foi só para falar de uma amaldiçoada torcedora da turma do cinto de segurança. Após o jogo tornar-se favas contadas, fui torturado durante uns vinte minutos pela voz esganiçada dessa criatura a berrar: "Uhuuu! Vascooooo! Uhuuu! Vascooooo!" É impossível expressar em palavras o ódio que eu sinto por gente que grita "Uhuuu!". Minha vontade era bater um fio para o palácio do Saddam em Bagdá, pedir emprestada alguma arma de destruição em massa e tacar tudo em cima daquela ratatuia. Essas neuroses de cidade grande vão me botar maluco. Mas tudo bem. Um dia eu ainda vou viver num lugar em que, à tardinha, as pessoas colocam cadeiras na calçada em frente de casa e ficam observando o tempo passar em silêncio.
quarta-feira, março 19
Bom, ao menos ficou demonstrado que não é só no Brasil que a Lei não alcança os poderosos. O Bush adentrou o saloon, olhou feio para o pianista dublê de secretário-geral e deu um bico na mesa onde repousava o direito internacional. E ai de quem achar ruim.
Ao dar uma espiada num site dedicado ao Woody Allen, encontrei essa velha, porém atual, tirada:
More than any other time in history, mankind faces a crossroads. One path leads to despair and utter hopelessness. The other, to total extinction. Let us pray we have the wisdom to choose correctly.
Ao dar uma espiada num site dedicado ao Woody Allen, encontrei essa velha, porém atual, tirada:
More than any other time in history, mankind faces a crossroads. One path leads to despair and utter hopelessness. The other, to total extinction. Let us pray we have the wisdom to choose correctly.
domingo, março 16
Essa eu tinha que contar aqui. Há pouco estava no Soulseek buscando algumas faixas do disco "A Charlie Brown Christmas", trilha composta pelo genial Vince Guaraldi para o desenho homônimo. Produzida em 1965, foi a primeira animação estrelada pelos grilados personagens de Charles Schultz. O SBT, que antigamente atendia por TVS, costumava exibi-la todo final de ano (ah, meus tempos de criança). Bom, antes que isto aqui vire o "varandão da saudade", bora falar do assunto que motivou o post. Ao terminar de baixar "Linus and Lucy", tratei logo de conferir as informações na caixa de dados do arquivo. Qual não foi a minha surpresa ao encontrar no campo de comentários a seguinte mensagem: Join the NRA at www.NRA.org. Que lástima. Não esperava isso de alguém que, provavelmente, cresceu acompanhando as desventuras do melancólico Charlie Brown. E a coerência? Se o culpado pela mensagem ainda fosse algum fã de Pokemon, Digimon e quejandos...
quinta-feira, março 13
Difícil afirmar quem é mais chato. FHC com seus discursos em que desqualificava os críticos como fracassomaníacos, cassandras, caipiras e neobobos, ou o Lula com suas metáforas futebolísticas para explicar a situação econômica do país. Algum aspone precisa avisá-lo que o que podia soar pitoresco durante a campanha eleitoral, agora simplesmente dá no saco.
Últimas notícias: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Kofi Annan, a realização de uma reunião de alto nível com países interessados em tentar uma saída que evite o conflito Estados Unidos-Iraque.
Pelo jeito, o nosso engajado mandatário só vai sossegar o facho depois que levar um "passa-moleque" por parte dos adultos.
Últimas notícias: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Kofi Annan, a realização de uma reunião de alto nível com países interessados em tentar uma saída que evite o conflito Estados Unidos-Iraque.
Pelo jeito, o nosso engajado mandatário só vai sossegar o facho depois que levar um "passa-moleque" por parte dos adultos.
terça-feira, março 4
Ah é, já tava esquecendo de relatar o final da minha saga em busca de mais disquinhos prateados. Então, fui em duas lojas e, pasmem vocês, não encontrei nenhum dos CDs listados no post abaixo. Quem poderia imaginar... Mas, em compensação, descolei o "After the Gold Rush" do Neil Young, o que me permitiu completar a cartela e ganhar um crédito de 25 pratas numa próxima compra. Valeu a pena suportar a canícula da tarde e a multidão que abarrotava as lojas (preciso descobrir um horário mais sossegado).
Pensamento que costuma me ocorrer nesta época do ano: acho que a única coisa boa do carnaval é ter a chance de tratá-lo por "tríduo momesco" (velho clichê abandonado pela imprensa). Adoro essa expressão. Assim como uma das minhas palavras favoritas é "idiossincrasia" (talvez porque eu tenha várias). Posso concluir então que uma das minhas idiossincrasias é gostar de termos como "idiossincrasia" e "tríduo momesco"?
E vocês (?) ainda perdem tempo acessando esta porcaria. Tsc, tsc, tsc...
Pensamento que costuma me ocorrer nesta época do ano: acho que a única coisa boa do carnaval é ter a chance de tratá-lo por "tríduo momesco" (velho clichê abandonado pela imprensa). Adoro essa expressão. Assim como uma das minhas palavras favoritas é "idiossincrasia" (talvez porque eu tenha várias). Posso concluir então que uma das minhas idiossincrasias é gostar de termos como "idiossincrasia" e "tríduo momesco"?
E vocês (?) ainda perdem tempo acessando esta porcaria. Tsc, tsc, tsc...
sexta-feira, fevereiro 28
Quer saber de uma coisa? Enquanto o reinado de Momo não se inicia, acho que eu vou colocar o meu bloco na rua e arriscar uma ida à loja de CD's usados (se um dia ela fechar eu estou perdido). No momento, os principais itens da minha wishlist são:
Cowboy Junkies - Black-Eyed Man
Cinerama - De preferência o Va Va Voom
Catatonia - Pode ser o Equally Cursed & Blessed ou o International Velvet
Beach Boys - Today/ Summer Days (and Summer Nights)
Love - A caixa Love Story 1966-1972 seria uma boa (haha! only in dreams)
Laura Cantrell - Eu não acharia ruim se esbarrasse no When the Roses Bloom Again
Depois eu conto se encontrei algum da lista. Em caso positivo, é sinal que esse tipo de post regula (o que o transformará em ritual obrigatório).
Cowboy Junkies - Black-Eyed Man
Cinerama - De preferência o Va Va Voom
Catatonia - Pode ser o Equally Cursed & Blessed ou o International Velvet
Beach Boys - Today/ Summer Days (and Summer Nights)
Love - A caixa Love Story 1966-1972 seria uma boa (haha! only in dreams)
Laura Cantrell - Eu não acharia ruim se esbarrasse no When the Roses Bloom Again
Depois eu conto se encontrei algum da lista. Em caso positivo, é sinal que esse tipo de post regula (o que o transformará em ritual obrigatório).
domingo, fevereiro 23
É, agora as aparições são esporádicas. Tanto tempo afastado, perdi completamente o jeito...
Então, fui assistir Little Voice outro dia e fiquei maluco pela cena em que o Michael Caine quase dilacera as cordas vocais ao cantar "It's over", um dos vários clássicos da dor-de-cotovelo compostos pelo Roy Orbison. Instalei o Soulseek só pra ver se encontro uma mp3 dessa versão, mas até agora a busca foi infrutífera. Wish me luck.
Então, fui assistir Little Voice outro dia e fiquei maluco pela cena em que o Michael Caine quase dilacera as cordas vocais ao cantar "It's over", um dos vários clássicos da dor-de-cotovelo compostos pelo Roy Orbison. Instalei o Soulseek só pra ver se encontro uma mp3 dessa versão, mas até agora a busca foi infrutífera. Wish me luck.
sábado, fevereiro 15

Mês passado, o Telecine exibiu um festival dedicado aos filmes do folclórico detetive chinês, Charlie Chan. Célebre pela numerosa prole (tratada por filho nº1, filho nº2...) e pelos provérbios que dispara ao longo de suas investigações, Chan foi criado em 1925 pelo escritor Earl Derr Biggers. O enorme sucesso literário acabou por levar o personagem para a telona, onde protagonizou uma interminável série de filmes produzidos pela Fox (1931-1942) e pela Monogram (1944-1949). Porém, a longevidade de Chan não encontrou eco nos seus intérpretes, o que fez a inconfundível barbicha oriental ser ostentada por três diferentes atores: Warner Oland, Sidney Toler e Roland Winters. O personagem também recebeu adaptações para os quadrinhos e desenho animado (passava na Bandeirantes ou na Manchete?). Diante de tamanho currículo, até animei-me a encarar o tal festival. Só que falhei miseravelmente. Tentei assistir a dois ou três filmes e não consegui chegar ao final de nenhum, mesmo procurando levar apenas na base da curiosidade. Achei-os tão datados quanto aqueles seriados exibidos em matinês dos anos 40, verdadeiras peças arqueológicas (ex: Flash Gordon e Homem-Foguete). O incrível é que tem gente que é fanática por esse tipo de obra, coleciona e o escambau. Só a nostalgia explica. Portanto, ficamos combinados assim: a melhor aparição de Charlie Chan nas telas continua sendo, por vias tortas, a sátira feita por Peter Sellers (foto) na genial comédia Assassinato por morte. No enredo, escrito por Neil Simon, os cinco maiores detetives do mundo são convidados a jantar na mansão de um milionário excêntrico que os desafia a solucionar um crime que ocorrerá exatamente à meia-noite. Além de Chan, aqui chamado de Sidney Wang, também comparecem Sam Spade (Sam Diamond), Hercule Poirot (Milo Perrier), Miss Jane Marple (Miss Jessica Marbles) e Nick e Nora Charles (Dick e Dora Charleston). O elenco estelar conta ainda com David Niven, Maggie Smith, Alec Guinness, Peter Falk, Truman Capote...
Bom, para não dar a impressão de total perda de tempo, cumpre dizer que um dos filmes exibidos pelo Telecine - Charlie Chan no Egito (1935), para ser mais específico - esconde uma baita surpresa na figura de uma obscura coadjuvante de nome Rita Cansino. É impressionante constatar que, após erguer a linha do cabelo à custa de muita eletrólise e tê-lo pintado de ruivo, essa chicana desprovida de maiores atrativos transformou-se em Rita Hayworth, maior símbolo sexual do cinema nos anos 40. Não foi à toa que Hollywood recebeu a alcunha de "fábrica de ilusões".
Para encerrar com uma curiosidade, vai aí uma bem humorada resenha de Charlie Chan no México, escrita nos tempos em que o diretor francês François Truffaut ainda exercia seus dotes de crítico de cinema. O texto faz parte do livro "Os filmes de minha vida", publicado pela Nova Fronteira.
Carta aberta ao senhor Chan, detetive chinês, Beverly Hills, Califórnia:
Rogamos senhor Chan abrir investigação auxiliado por honorável filho nº1 e honorável filho nº2 finalidade descobrir motivo por que série Charlie Chan cada vez pior. Warner Oland muito talento, Sidney Toler pouco talento, Roland Winters nem um pouco talento. Norman Foster honorável diretor, William Beaudine não honorável; sempre alinhavou trabalho. Sobre tabuinha de jade está escrito: "Loucura irmã do gênio", série filmes Charlie Chan cada dia menos louca que dia anterior. Envie rapidamente explicações. Honorários em dólares chineses. Que Confúcio esteja conosco.
terça-feira, fevereiro 11
E aí, sentiram a minha ausência? É, eu já imaginava que não... Mas tudo bem, devo admitir que também não senti falta de atualizar o blog durante esse tempo. O motivo do sumiço? É que a minha saúde de touro premiado (aham) enfrentou um ligeiro percalço durante uns poucos dias. E aí, como de hábito, logo comecei a cultivar pensamentos mórbidos. Terminei por ficar um tanto deprimido, e nessas horas não há cristão que me faça dar as caras por aqui. Só escrevo, por incrível que pareça, quando sinto-me razoavelmente bem disposto. Talvez o aparente miserabilismo de alguns posts passe uma imagem equivocada, quando, na verdade, eu estou apenas tirando partido de uma indispensável (pelo menos para mim) dose de auto-ironia.
Difícil vai ser tocar este barco novamente. Quanto mais tempo eu passo sem escrever, maior fica a vontade de permanecer assim.
Difícil vai ser tocar este barco novamente. Quanto mais tempo eu passo sem escrever, maior fica a vontade de permanecer assim.
domingo, janeiro 26
Eu sabia! Encontrei a confirmação no Michigan Daily:
Some of the show's few highlights included presenter Brendan Fraser, after instructing the audience to salute him, grabbing the ass of Dagmar Dunlevy, president of the Hollywood Foreign Press Association.
Some of the show's few highlights included presenter Brendan Fraser, after instructing the audience to salute him, grabbing the ass of Dagmar Dunlevy, president of the Hollywood Foreign Press Association.
Que fim terá levado a Emma Thompson? Após ganhar o Oscar pelo roteiro adaptado de Razão e Sensibilidade, ela praticamente sumiu do mapa. E com ela foi-se também grande parte da produção de filmes de época, até porque seu nome já virara quase uma grife do gênero. Verdade que ocasionalmente aparece alguma novidade, mas nada que chegue a impressionar muito - talvez porque todos os livros e peças disponíveis já tenham sido adaptados para a telona. Já a metade inicial da década de 90 foi pródiga, além do anteriormente citado Razão, tivemos Retorno a Howard's End, Vestígios do Dia (Mr Stevens rules!), Muito Barulho Por Nada, A Época da Inocência, Ethan Frome e mais outros que eu não consigo lembrar no momento. Impossível resistir a um filme com personagens sufocados por rígidas convenções sociais.
Essa do presidente do Banco Central foi incrível. Mal o sujeito chega em Davos, a fim de descolar uns caraminguás com os donos do cofre (também conhecidos como FMI), escorrega na neve e fratura o tornozelo em três lugares. Só pode ter sido praga da Heloísa Helena. Esses radicais do PT batem um tambor forte, o Lula e sua bursite que se acautelem.
quarta-feira, janeiro 22

sigh...
Se, porventura, alguém decidir compilar os piores momentos do Globo de Ouro, ocorrido no último domingo, não pode faltar a imagem da Lara Flynn Boyle vestida de bailarina... creepy. Impressão minha ou a presidente da Associação da Imprensa Estrangeira foi mesmo bolinada pelo Brendan Fraser enquanto proferia seu discurso de praxe? Ela, subitamente, interrompeu a fala e dirigiu-lhe um olhar meio assustado - e ele andou movendo o antebraço de forma bastante suspeita. Mas, micos à parte, o melhor de tudo foi conferir a aparição em grande estilo da Jennifer Connelly. Ela entregou, ao lado do Samuel L. Jackson, um prêmio que eu nem me lembrei de identificar (estava muito ocupado babando na gravata). Absolutamente deslumbrante, a dona dos mais belos olhos do cinema não economizou nas caras e bocas diante da câmera. Devia estar disposta a apagar a má impressão deixada pelo look anoréxico exibido nas premiações do ano passado.
sábado, janeiro 18
Já fazia mais de um mês que eu não botava os pés no sebo de CD's. Ontem, algo me dizia que não haveria arrependimento se eu desse uma passada por lá - o que não significa nada, já tive esse tipo de intuição antes e quebrei a cara. Mas, aqui também, a esperança venceu o medo. Reuni a pouca energia restante (ando numa pasmaceira de doer) e parti rumo ao desconhecido. Entrei na loja e cumpri o ritual de sempre, indo direto na letra B das bandas de rock (assim economizo tempo, não gosto de nenhuma que comece com A). Nem bem comecei a escarafunchar a segunda fileira, tive a atenção capturada por uma capa estranhíssima. Nela, um mineiro de carvão olha, algo espantado, para um fulano que parece saído de uma banda de glam rock. Nenhum tipo de informação, apenas a foto em preto e branco. Normalmente eu daria de ombros e seguiria em frente. Porém, quis o destino que eu pegasse o CD para conferir o nome em sua lateral. Mal pude acreditar nas palavras que terminei por ler: Black Box Recorder - England Made Me. Não bastasse isso, quase fui às lágrimas ao descobrir que custava apenas 14 pratas! Mordam-se de inveja! Ah, trata-se de uma cópia promocional da versão inglesa, por isso não reconheci a capa. De quebra, também levei o álbum verde do Weezer.
Após essa verdadeira epopéia, ainda encontrei disposição para encarar outro sebo (entupido de gente, por sinal). Saí de lá carregando o Open, último trabalho dos Cowboy Junkies. Só não comecei a soltar fogos porque esse é um daqueles discos que exigem várias audições até a ficha cair. A primeira metade é conduzida pela guitarra do Michael Timmins em jams arrastadas e repletas de distorção; a voz da Margo está quase inaudível, mixada lá no fundo. A coisa só melhora nas últimas cinco músicas, quando é retomado o som característico dos canadenses. Vai levar algum tempo até eu poder dar uma opinião menos reticente.
Filosofia barata do dia: A vida é como uma loja de CD's usados... você nunca sabe o que vai encontrar.
Após essa verdadeira epopéia, ainda encontrei disposição para encarar outro sebo (entupido de gente, por sinal). Saí de lá carregando o Open, último trabalho dos Cowboy Junkies. Só não comecei a soltar fogos porque esse é um daqueles discos que exigem várias audições até a ficha cair. A primeira metade é conduzida pela guitarra do Michael Timmins em jams arrastadas e repletas de distorção; a voz da Margo está quase inaudível, mixada lá no fundo. A coisa só melhora nas últimas cinco músicas, quando é retomado o som característico dos canadenses. Vai levar algum tempo até eu poder dar uma opinião menos reticente.
Filosofia barata do dia: A vida é como uma loja de CD's usados... você nunca sabe o que vai encontrar.
segunda-feira, janeiro 13
Dizem que nessa vida a gente tem que experimentar de tudo... Olha, eu bem que tentei seguir o conselho, mas não consegui passar dos 20 minutos iniciais de "O sétimo selo", do Bergman. É muuuuito chato, quase dormi. Portanto, recolho-me à minha ignorância e deixo a cargo do Woody Allen e dos freqüentadores de cineclube (será que ainda existe cineclube?), a tarefa de maravilhar-se com os filmes do cineasta sueco (mas até que "Fanny e Alexander" é bom).
sexta-feira, janeiro 10
Pois é, o Presidente Lula está com tudo e não está prosa, anda freqüentando até artigo de comentarista da NBA. Enquanto procurava por notícias sobre o Denver Nuggets, time do brasileiro Nenê, encontrei essa notinha interessante:
Brazil's new President daSilva just rejected a proposed expenditure of $750 million dollars for military weaponry claiming that "We have people in our land that are hungry and that this waste is unconscionable with the current state of poverty and need." Like Huey Long, this guy has no chance at survival. Do you think George Bush is aware that poverty and hunger are severe problems in America and not limited to North Korea?
Informação pertinente: Huey Long foi Governador da Louisiana de 1928 a 1932 e foi eleito para o Senado em 1930. Célebre pelo estilo populista, sua plataforma eleitoral era baseada no projeto "Share Our Wealth", que tinha como objetivo beneficiar as camadas mais pobres da população com a redistribuição de renda. Foi assassinado a tiros, logo após lançar-se candidato à Presidência dos EUA. Serviu como inspiração para o protagonista do filme A Grande Ilusão.
Brazil's new President daSilva just rejected a proposed expenditure of $750 million dollars for military weaponry claiming that "We have people in our land that are hungry and that this waste is unconscionable with the current state of poverty and need." Like Huey Long, this guy has no chance at survival. Do you think George Bush is aware that poverty and hunger are severe problems in America and not limited to North Korea?
Informação pertinente: Huey Long foi Governador da Louisiana de 1928 a 1932 e foi eleito para o Senado em 1930. Célebre pelo estilo populista, sua plataforma eleitoral era baseada no projeto "Share Our Wealth", que tinha como objetivo beneficiar as camadas mais pobres da população com a redistribuição de renda. Foi assassinado a tiros, logo após lançar-se candidato à Presidência dos EUA. Serviu como inspiração para o protagonista do filme A Grande Ilusão.
quarta-feira, janeiro 8
Dêem uma conferida num ótimo filme que estreou este mês no Telecine, chama-se Mundo Cão. Se é que já não o fizeram anteriormente, claro. Pelo menos eu, criatura ignorante, nunca tinha ouvido falar nele. Baseada numa HQ (!), é uma comédia acridoce sobre duas adolescentes, recém-saídas do colegial, cuja amizade é abalada ao trilharem caminhos diferentes rumo à vida adulta. É óbvio que o Steve Buscemi não estaria fora de um filme repleto de personagens bizarros. Ele rouba a cena no papel de um colecionador de discos antigos. Mas retratar tanta esquisitice não deve ter sido tarefa muito difícil para o diretor Terry Zwigoff. Afinal, ele já tinha feito um documentário sobre o Robert Crumb, rei do quadrinho underground americano.
Só um último detalhe: é muito estranho ver a Thora Birch - aquela menininha com cara de boneca, filha do Harrison Ford nos filmes do agente Jack Ryan - interpretando uma adolescente em crise. Como o tempo passa rápido.
Só um último detalhe: é muito estranho ver a Thora Birch - aquela menininha com cara de boneca, filha do Harrison Ford nos filmes do agente Jack Ryan - interpretando uma adolescente em crise. Como o tempo passa rápido.
domingo, janeiro 5
Black Box Recorder - Seasons in the sun
Goodbye to you, my trusted friend
We've known each other since we were nine or ten
Together we've climbed hills and trees
Learned of love and ABC's
Skinned our hearts and skinned our knees
Goodbye my friend, it's hard to die
When all the birds are singing in the sky
Now that the spring is in the air
Pretty boys are everywhere
Think of me and I'll be there
Goodbye papa, please pray for me
I was the black sheep of the family
You tried to teach me right from wrong
Too much wine and too much song
Wonder how I got along
Goodbye papa, it's hard to die
When all the birds are singing in the sky
Now that the spring is in the air
Little children everywhere
When you see them I'll be there
Goodbye Michelle, my precious one
You gave me love and helped me find the sun
And every time that I was down
You would always come around
And get my feet back on the ground
Goodbye Michelle, it's hard to die
When all the birds are singing in the sky
Now that the spring is in the air
With the flowers everywhere
I wish that we could both be there
We had joy, we had fun, we had seasons in the sun
But the hills that we climbed were just seasons out of time
We had joy, we had fun, we had seasons in the sun
But the stars we could reach were just starfish on the beach
Goodbye to you, my trusted friend
We've known each other since we were nine or ten
Together we've climbed hills and trees
Learned of love and ABC's
Skinned our hearts and skinned our knees
Goodbye my friend, it's hard to die
When all the birds are singing in the sky
Now that the spring is in the air
Pretty boys are everywhere
Think of me and I'll be there
Goodbye papa, please pray for me
I was the black sheep of the family
You tried to teach me right from wrong
Too much wine and too much song
Wonder how I got along
Goodbye papa, it's hard to die
When all the birds are singing in the sky
Now that the spring is in the air
Little children everywhere
When you see them I'll be there
Goodbye Michelle, my precious one
You gave me love and helped me find the sun
And every time that I was down
You would always come around
And get my feet back on the ground
Goodbye Michelle, it's hard to die
When all the birds are singing in the sky
Now that the spring is in the air
With the flowers everywhere
I wish that we could both be there
We had joy, we had fun, we had seasons in the sun
But the hills that we climbed were just seasons out of time
We had joy, we had fun, we had seasons in the sun
But the stars we could reach were just starfish on the beach
Outro dia eu revi no Lado B, após um longo tempo, o clip de "Child psychology" do Black Box Recorder. Na vez anterior não cheguei a reparar que o célebre e infame refrão - Life is unfair, kill yourself or get over it - tinha sido censurado pela MTV americana. Fizeram uma montagem sonora que transformou "kill yourself" em algo parecido com "choice life". Ou seja, arruinaram esse verdadeiro hino dos suicidas em potencial.
Ainda sobre o clip, eu cismei que algumas de suas cenas lembram soluções visuais utilizadas em O mensageiro do diabo, único filme dirigido pelo ator inglês Charles Laughton (o advogado de defesa em Testemunha de acusação, suspense crááássico do Billy Wilder). É meio que uma mania, às vezes eu fico buscando referências visuais em tudo que assisto. Vamos aos fatos, mas antes um pequeno lembrete: clip e filme foram filmados em preto e branco. Sempre que o refrão toca, o rosto da Sarah Nixey (vocalista da banda) e da sua versão juvenil aparecem recortados sobre um céu repleto de estrelas brilhantes. Lembra muito a cena de abertura do filme, onde a Lillian Gish, cercada por rostos infantis, aparece lendo uma passagem da Bíblia. E a imagem da menina dentro de uma banheira no meio do pântano me faz pensar na sequência em que o casal de irmãos, ao fugir do Reverendo Harry Powell (Robert Mitchum), viaja de barco por um pequeno rio. Sendo, em ambos os casos, observados por criaturas silvestres (coelhos, aranhas, sapos) posicionadas em primeiro plano.
Pois é... é sobre esse tipo de assunto que eu fico matutando durante o meu tempo livre. Alguém precisa me internar.
Ainda sobre o clip, eu cismei que algumas de suas cenas lembram soluções visuais utilizadas em O mensageiro do diabo, único filme dirigido pelo ator inglês Charles Laughton (o advogado de defesa em Testemunha de acusação, suspense crááássico do Billy Wilder). É meio que uma mania, às vezes eu fico buscando referências visuais em tudo que assisto. Vamos aos fatos, mas antes um pequeno lembrete: clip e filme foram filmados em preto e branco. Sempre que o refrão toca, o rosto da Sarah Nixey (vocalista da banda) e da sua versão juvenil aparecem recortados sobre um céu repleto de estrelas brilhantes. Lembra muito a cena de abertura do filme, onde a Lillian Gish, cercada por rostos infantis, aparece lendo uma passagem da Bíblia. E a imagem da menina dentro de uma banheira no meio do pântano me faz pensar na sequência em que o casal de irmãos, ao fugir do Reverendo Harry Powell (Robert Mitchum), viaja de barco por um pequeno rio. Sendo, em ambos os casos, observados por criaturas silvestres (coelhos, aranhas, sapos) posicionadas em primeiro plano.
Pois é... é sobre esse tipo de assunto que eu fico matutando durante o meu tempo livre. Alguém precisa me internar.
Imagino que, ao soltar o primeiro post de 2003, eu teria a obrigação de escrever algo de cunho memorável. O problema é que, além de tal feito estar muito acima da minha capacidade, nunca consegui compreender o motivo de tanto alvoroço criado em torno da virada de ano. Eu devo ser muito cínico mesmo, mas para mim isso significa apenas uma coisa: tá na hora de trocar a folhinha da parede.
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